A Ribeirinha é uma das freguesias mais antigas do concelho de Angra do Heroísmo, integrando a costa sul da Ilha Terceira, no Arquipélago dos Açores. De origem remota, esta localidade tem mantido ao longo dos séculos uma forte ligação à terra, à fé e às tradições, sendo reconhecida pela sua identidade comunitária e espírito de entreajuda.
Com uma área de 7,90 km² e 2 477 habitantes (segundo os Censos 2021), a Ribeirinha apresenta uma densidade populacional de cerca de 314 habitantes por km². Localiza-se entre a Ponta da Mina e o Monte Brasil, a cerca de 3,8 km da cidade de Angra do Heroísmo, sendo uma freguesia com excelente enquadramento geográfico e ligação natural à cidade.
Estendendo-se pelas encostas da Serra da Ribeirinha, confina a oeste com a freguesia de São Bento, a leste com a Feteira, a norte com o Porto Judeu e a sul com o oceano Atlântico. A sua posição elevada e privilegiada permite amplas vistas sobre o mar e sobre a baía de Angra, tornando-a uma das freguesias mais pitorescas e aprazíveis do concelho.
A população da Ribeirinha distingue-se pelo trabalho, dinamismo e espírito empreendedor. A agropecuária continua a ser uma das principais atividades económicas, beneficiando da fertilidade dos solos e da abundância de recursos hídricos. As explorações pecuárias, sobretudo de gado bovino, são uma referência histórica e económica, assegurando um contributo importante para o abastecimento de leite e derivados à cidade de Angra do Heroísmo.
Paralelamente, o setor dos serviços tem ganho relevância, com muitos residentes a exercerem a sua atividade profissional na cidade. A freguesia mantém também uma tradição nas áreas da carpintaria, construção civil, restauração de mobiliário, artesanato e pequeno comércio, que continuam a refletir a dedicação e o saber-fazer da sua população.
Nos últimos anos, a Junta de Freguesia da Ribeirinha tem vindo a executar diversas obras e projetos estruturantes, com o objetivo de melhorar os espaços públicos, valorizar o património natural e cultural e reforçar a qualidade de vida de todos os fregueses. Estas ações representam o compromisso contínuo com um desenvolvimento sustentável, inclusivo e participativo, que honra o passado e prepara o futuro da Ribeirinha.
Ao sair de Angra do Heroísmo em direção ao Oriente, atravessando os históricos Portões de São Bento, encontramos a freguesia da Ribeirinha, pertencente à Comarca e Diocese de Angra do Heroísmo, sob jurisdição da Relação de Lisboa. O nome da localidade deriva da pequena ribeira que a atravessa, elemento natural que marca a sua identidade.
A origem da Ribeirinha remonta a tempos antigos, não claramente documentados pela história. Segundo alguns historiadores, a fundação da freguesia está ligada ao flamengo Fernão Dulmo, que escolheu esta zona para se estabelecer. Foram-lhe atribuídos terrenos que se estendiam desde a serra até à atual freguesia da Feteira, contribuindo para o povoamento inicial da região.
Em 1486, a Ribeirinha era ainda um curato dependente da paróquia da Vila de São Sebastião. Tornou-se freguesia independente por carta régia datada de 30 de julho de 1568, na qual El-Rei determinou que a congrua do vigário António Pimenta de Araújo fosse elevada para vinte e seis mil réis.
No final do século XVI, o cronista Gaspar Frutuoso registava a existência de cerca de 40 moradores. Já em 1717, o padre António Cordeiro referia que a freguesia contava com 140 vizinhos, evidenciando o crescimento populacional ao longo dos anos.
Alguns costumes e tradições ainda preservados pelos habitantes da Ribeirinha — como o modo de falar e certas práticas comunitárias — revelam traços de uma origem estrangeira, harmoniosamente integrados no espírito português. Essa fusão cultural contribui para a riqueza identitária da freguesia.
Visitar a Ilha Terceira é também conhecer a Ribeirinha. A freguesia representa um ponto essencial para compreender a alma do povo terceirense, marcada pela história, pela natureza e pela força das suas raízes.
A origem do nome Ribeirinha não é conhecida com absoluta certeza. Contudo, existem elementos que ajudam a compreender a sua provável designação.
Nesta freguesia localiza-se a Fonte da Furna de Água, uma importante nascente de água doce que, durante o século passado, abastecia dezassete dos dezoito chafarizes então existentes. Nos primórdios, existia apenas o chafariz da Fonte, que servia de abastecimento à população local.
Sendo uma das paróquias mais ricas em recursos hídricos da ilha Terceira, a água corria em abundância pela ribeira que atravessa a freguesia de norte a sul, facto que terá inspirado o nome Ribeirinha.
Na ausência de documentos autênticos que confirmem esta origem, prevalece a tradição oral, que mantém viva esta explicação transmitida ao longo das gerações.
A Ribeirinha tem também o seu lugar na história do Heroísmo açoriano.
Foi desta freguesia que, em 1641, durante a luta contra o domínio Filipino, partiu uma valorosa companhia comandada pelo Capitão Manuel Jacques de Oliveira. Este destacamento atacou a Fortaleza de São Sebastião (Castelinho), tomando-a de assalto e aprisionando o oficial espanhol que a comandava.
A fortaleza foi então governada, por algum tempo, pelo próprio Capitão Manuel Jacques de Oliveira, sendo posteriormente entregue a Luís Cardoso Machado, que a recebeu por mercê régia, em reconhecimento dos serviços prestados.
A Ribeirinha foi a primeira freguesia rural da ilha Terceira a beneficiar da eletrificação, inaugurada a 4 de abril de 1931, marco de grande importância no progresso e qualidade de vida da população.
Em 1949 foi fundada uma moagem acionada a energia elétrica, por Joaquim Rodrigues Bettencourt, que chegou a moer, em média diária, três moios de trigo. Em 1968, o estabelecimento foi vendido a José Nunes Toste e Francisco Natal Rodrigues, encontrando-se desativado desde 1969.
Nesta freguesia existiram, em tempos, diversas confrarias religiosas, sendo as mais conhecidas as do Santíssimo Sacramento, de Nossa Senhora da Conceição, do Senhor Santo Cristo, de São Pedro e de Santo Antão.
Os registos paroquiais mais antigos conhecidos, referentes a batismos e casamentos, datam de 1630, constituindo importantes testemunhos da história local.
No passado, a principal atividade industrial da freguesia era a desnatação do leite, contando com quatro fábricas, cujo produto era consumido sobretudo na cidade de Angra do Heroísmo.
A Ribeirinha possuía ainda um número significativo de teares, destinados essencialmente à produção de tecidos para consumo interno da freguesia.
O comércio local tinha uma base predominantemente agropecuária, refletindo a importância da agricultura e da criação de gado na economia da freguesia. A produção de batata-doce era particularmente relevante, tendo, contudo, sido descontinuada após o encerramento do fabrico de álcool.
Com o passar dos anos, a freguesia viu surgir novas atividades comerciais e de serviços, entre as quais minimercados, lojas de vestuário e utilidades, estabelecimentos de cutelaria, postos de combustível, snack-bares e oficinas ligadas ao ramo automóvel.
Atualmente, a Ribeirinha apresenta uma indústria mais diversificada, destacando-se áreas como os alumínios, carpintaria, sapateiro, restauro, taxidermia, fabrico de alfenim, entre outras atividades artesanais e de pequena produção, que continuam a representar o espírito empreendedor e laborioso da sua população.

TRADICÕES
Matança Coletiva
Era tradição na freguesia realizar-se uma matança coletiva às sextas-feiras.
Os bancos destinados ao sacrifício eram colocados junto à casa onde se encontrava o suíno a abater.
Toda a população participava na azáfama e, num tom festivo, criava-se um verdadeiro arraial na rua. Diversos curiosos vinham da cidade e de outras freguesias para assistir.
A Muda para a Canada das Vinhas
Antigamente, muitos ribeirinhenses mudavam-se temporariamente da Ribeirinha para a freguesia vizinha da Feteira, a fim de guardarem, longe das mãos alheias, os figos, as uvas, as peras e as maçãs.
Ainda assim, ninguém negava que uma mudança de ares alegrava a vida e dava novo alento a quem trabalhava.
O carro que transportava a “muda” era puxado por bois, e cada pessoa o recorda de forma diferente, pois não havia duas casas iguais.
Da “muda” faziam parte: colchões, o relógio, alguns santinhos de maior devoção, panelas e penicos, uma esteira nova, cestos com roupa, uma caixa mais pequena e cadeiras.
Depois da “muda”, os homens continuavam a vir todos os dias para a Ribeirinha, por causa das terras e das vacas; só as mulheres e os mais pequenos é que ficavam.
Era, portanto, uma casa que se mudava — e não apenas os móveis.

FESTAS
As festas populares em honra dos respetivos santos padroeiros realizam-se tradicionalmente nos meses de julho e agosto, marcadas por procissões solenes e animados arraiais que mobilizam toda a freguesia.
A primeira festa decorre na segunda semana de julho, na Serra da Ribeirinha, no local conhecido como Terreiro do Passo. O nome deste largo tem origem no facto de ali ter existido, em tempos, um “Passo das Almas”, integrado nas antigas representações da Via Sacra.
A segunda festa acontece na terceira semana de julho, na rua principal, em frente à igreja paroquial, reunindo a comunidade num ambiente de convívio e fé.
A terceira celebração realiza-se na última semana de agosto, na Ladeira Grande, sendo consagrada ao mártir terceirense Beato João Baptista Machado, figura de especial devoção local.
Outro momento de tradição e identidade é a abertura das touradas à corda na Ilha Terceira, que tem lugar na Fonte da Ribeirinha, todos os anos, a 1 de maio, mesmo sem mordomos — cumprindo uma das mais antigas tradições da freguesia.
Estas festas constituem uma excelente oportunidade para conhecer as gentes da Ribeirinha, apreciar os seus costumes e viver de perto o espírito de hospitalidade que as caracteriza.
Para além destas, realiza-se ainda a festa em honra de Santo Amaro, de 6 a 15 de janeiro, e diversas festividades ligadas ao calendário católico, de data variável.
FAMÍLIAS
A freguesia da Ribeirinha distingue-se, desde os seus primórdios, pela presença de dois grandes grupos familiares: as famílias residentes e as famílias migratórias.
As famílias residentes são aquelas que habitam a freguesia desde os registos mais antigos, conservando uma ligação histórica e contínua ao território. O livro de batismos mais antigo conhecido data de 1623, testemunhando a longa permanência destas linhagens na Ribeirinha.
Entre os apelidos tradicionalmente associados às famílias residentes encontram-se:
Alves, Azedias, Azevedo, Castro, Codorniz, Couto, Dias, Evangelho, Ferreira, Freitas, Gomes, Gonçalves Silva, Lopes, Lourenço, Machado, Melo, Miranda, Pacheco, Pacheco Galhardo, Parreira, Toste e Vaz.
Por sua vez, as famílias migratórias correspondem àquelas que, oriundas de outras freguesias ou ilhas dos Açores, aqui se fixaram ao longo dos séculos, contribuindo para o enriquecimento humano, cultural e social da Ribeirinha.
Entre estas, destacam-se: Ávila Bettencourt (Conceição); Bettencourt (Santa Cruz, Graciosa); Borges do Rego (Fonte do Bastardo); Cardoso Gaspar (São Brás); Cardoso Pires (Lajes); Cardoso Ventura (São Roque, Pico, via São Mateus); Carreiro (Maia, São Miguel); Fraga (Porto Judeu); Furtado (Santa Cruz, Graciosa); Garcia Valadão (Lajes); Gonçalves Leonardo (São Bento); Jaques (Cabo da Praia); Lemos (Santa Bárbara); Luís Pires (Porto Judeu); Machado Vitória (São Sebastião); Martins Trovão (Agualva); Mendonça (Ribeira Seca, São Jorge); Nunes da Costa (Porto Judeu); Ormonde (Porto Judeu); Pinheiro Dias (Braga); Pontes (Fonte do Bastardo); Ribeiro (Porto Judeu); Rocha (Porto Judeu); Rocha Gato (São Bento); Rocha da Silva (Praia); Silveira (Ribeira Seca, São Jorge); Tavares (Ribeira Seca, Ribeira Grande, São Miguel); Vaz de Borba (Cabo da Praia); Vieira Homem (Lajes).
Estas famílias, residentes e migratórias, constituem o tecido humano que moldou a identidade da Ribeirinha, contribuindo, geração após geração, para a construção da sua história, tradições e sentido comunitário.
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